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Por que pessoas inteligentes permanecem em relações que as fazem sofrer?

Créditos da foto: Divulgação

No começo, quase tudo parece bonito.

Você recebe mensagens de “bom dia”, alguém diz que nunca conheceu uma pessoa como você, faz planos para o futuro e demonstra um interesse que parece raro. Pela primeira vez em muito tempo, você sente que foi realmente visto.

Depois, pequenas coisas começam a mudar.

A roupa que você escolheu já não agrada. Uma amizade passa a incomodar. Um comentário é interpretado como falta de respeito. Quando você tenta explicar como se sente, a conversa termina com um pedido de desculpas… seu.

Sem perceber, você começa a medir as palavras, justificar atitudes que antes considerava inaceitáveis e acreditar que, se amar um pouco mais, compreender um pouco mais ou ceder um pouco mais, tudo voltará a ser como era no início.

Mas nunca volta.

Esse é um dos aspectos mais silenciosos das relações abusivas. Elas não retiram a sua identidade de uma só vez. Fazem isso aos poucos. Você deixa de usar a roupa de que gosta para evitar discussões…pensa duas vezes antes de contar uma conquista…revê uma mensagem várias vezes antes de enviá-la…vai diminuindo para que o outro nunca se sinta ameaçado.

Quando percebe, já não reconhece a pessoa que era antes daquela relação.

Muita gente pergunta por que alguém permanece em um relacionamento assim, talvez a pergunta devesse ser outra.

O que faz uma pessoa acreditar que precisa abrir mão de si para continuar sendo amada?

Freud nos ensina que nossos vínculos também são construídos sobre histórias antigas. Quem passou a vida tentando conquistar afeto, evitar rejeições ou provar o próprio valor pode demorar mais para perceber quando o amor dá lugar ao controle, não porque seja fraco, mas porque continua esperando reencontrar aquela pessoa que um dia prometeu acolhimento. Em algumas relações marcadas por manipulação e alternância entre afeto e sofrimento, esse ciclo fortalece o vínculo emocional e torna o rompimento muito mais difícil do que parece para quem observa de fora.

Talvez a maior violência não seja o momento em que você decide partir.

Talvez seja descobrir que, para manter aquela relação, precisou abandonar a si mesmo muito antes.

Autor

  • • Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
    • Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
    Instagram: Cintia Castro

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