Há pessoas que não conseguem descansar, mesmo quando o corpo pede uma pausa, a mente insiste em dizer que ainda falta alguma coisa, mais um e-mail, mais uma tarefa…mais uma obrigação, e, quando finalmente se permitem parar, em vez de alívio, sentem culpa.
Como se descansar fosse um privilégio que ainda não merecessem, talvez essa culpa não tenha começado na vida adulta, talvez ela tenha nascido muito antes.
Algumas crianças crescem acreditando que precisam ser “boas”. Não apenas educadas, mas impecáveis. Aprendem cedo a não dar trabalho, a resolver conflitos, a cuidar das emoções dos adultos e a esconder as próprias necessidades. Recebem elogios por serem responsáveis, maduras ou fortes demais para a idade, sem perceber, confundem amor com desempenho.
Na vida adulta, esse roteiro continua. Descansar passa a ser interpretado como preguiça. Dizer “não” parece egoísmo. Pedir ajuda provoca vergonha e a sensação de nunca fazer o suficiente acompanha até mesmo quem já conquistou muito.
Nem toda culpa nasce de um erro. Às vezes, ela nasce da crença silenciosa de que nosso valor depende do quanto produzimos, suportamos ou entregamos aos outros. Em muitos casos, esse modo de funcionar foi uma forma de adaptação construída ainda na infância.
Talvez o descanso incomode tanto porque, quando paramos, deixamos de provar o nosso valor através do fazer.
E então surge uma pergunta que poucos têm coragem de enfrentar: Se você não precisasse produzir o tempo todo… ainda acreditaria que merece ser amado?
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro


















