Nunca tivemos tantas formas de entreter uma criança. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil vê-la simplesmente brincar.
Basta alguns segundos de espera para que uma tela apareça. O restaurante, o carro, a fila, a sala de espera. O silêncio passou a ser preenchido imediatamente por vídeos, jogos e estímulos que mudam de imagem em poucos segundos.
A infância precisa justamente do contrário, precisa de tempo para imaginar, inventar, sentir tédio, criar histórias e descobrir que nem toda espera precisa ser interrompida.
O problema não é a tecnologia. Ela faz parte da vida e oferece oportunidades importantes de aprendizagem. A questão surge quando a criança deixa de experimentar momentos em que nada acontece. É nesse aparente “vazio” que o cérebro organiza emoções, fortalece a criatividade e aprende a lidar com a frustração.
Na análise, percebemos que muitas crianças chegam inquietas, impacientes e com enorme dificuldade para sustentar a atenção. Antes de perguntarmos apenas o que essa criança tem, talvez seja necessário perguntar em que ambiente ela está crescendo.
Estamos formando crianças acostumadas a recompensas imediatas, mas pouco familiarizadas com o tempo da espera, e esperar também é uma habilidade emocional. Talvez a maior preocupação não seja o excesso de telas.
Seja o risco de criarmos uma geração que conhece milhares de estímulos, mas tem cada vez menos oportunidade de conhecer a si mesma e isto pode ser prejudicial a curto e longo prazo.
Que possamos olhar as nossas crianças e trazer o equilíbrio de cada fase da infância e adolescência.
Autor
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro


















