Como a necessidade permanente de conexão está mudando nossa relação com nós mesmos.
Ficar sozinho já foi apenas uma circunstância. Hoje, para muitas pessoas, tornou-se um incômodo.
O elevador demora alguns segundos…a fila não anda…o café ainda está sendo preparado. Antes mesmo que o silêncio apareça, a mão procura o celular. Não porque exista algo urgente, mas porque alguns segundos sem estímulo parecem difíceis de suportar.
Talvez este seja um dos sintomas mais silenciosos da nossa época…estamos perdendo a capacidade de permanecer conosco.
Vivemos conectados como nunca. Conversamos em tempo real, acompanhamos a vida de centenas de pessoas e recebemos informações a todo instante. Ainda assim, cresce a sensação de vazio, ansiedade e solidão.
A psicanálise nos lembra que o silêncio nunca é um espaço vazio. É justamente nele que nossos pensamentos, desejos e conflitos encontram espaço para existir. Talvez por isso tantas pessoas sintam desconforto quando as notificações cessam.
Estar sozinho não significa abandono, mas a possibilidade de permanecer em boa companhia: a própria. Quando essa capacidade não se desenvolve plenamente, o silêncio pode deixar de ser descanso e passar a ser ameaça.
Não há problema em usar a tecnologia. O problema começa quando ela deixa de ser uma ferramenta e passa a ser um refúgio permanente contra o encontro consigo mesmo.
Talvez não tenhamos medo da solidão, talvez tenhamos medo daquilo que encontramos quando finalmente fazemos silêncio.
E fica uma pergunta: Quando foi a última vez que você permaneceu alguns minutos sem olhar para uma tela… e sem sentir vontade de escapar de si mesmo?
Autor
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro


















