Especialista do Instituto do Sono explica como encontrar equilíbrio entre descanso, diversão e uma rotina saudável de sono durante o recesso
Julho é sinônimo de brincadeiras e menos compromissos para milhões de crianças brasileiras. Sem a necessidade de acordar cedo para a escola, muitas famílias aproveitam as férias para flexibilizar horários e permitir que os filhos durmam e acordem um pouco mais tarde. Mas até que ponto essa mudança é saudável?
Segundo o pediatra Gustavo Moreira, Diretor Clínico do Instituto do Sono/AFIP, as férias representam uma oportunidade importante para as crianças relaxarem e viverem experiências diferentes da rotina escolar. O problema surge quando a liberdade se transforma em uma inversão completa dos horários de sono.
“É natural que, sem a obrigação de acordar cedo, as crianças passem a dormir um pouco mais tarde. O ideal é evitar que essa mudança seja excessiva, porque depois o retorno às aulas se torna muito mais difícil”, explica.
De acordo com o especialista, o principal desafio costuma aparecer entre pré-adolescentes e adolescentes, que tendem a estender gradualmente o horário de dormir quando não possuem compromissos pela manhã. Ao longo de algumas semanas, não é raro que passem a dormir de madrugada e acordar apenas no início da tarde, dificultando a readaptação ao calendário escolar.
Flexibilidade não significa ausência de rotina
Para as famílias que desejam flexibilizar os horários durante as férias, a recomendação é buscar equilíbrio. Em vez de liberar totalmente a rotina, uma alternativa é permitir que a criança durma até uma ou duas horas mais tarde do que o habitual, evitando mudanças muito bruscas. Essa estratégia ajuda a preservar o ritmo biológico e reduz o impacto do retorno às aulas, quando será necessário retomar os horários que precisam ser cumpridos.
Embora as férias sejam um período de descanso e diversão, o sono continua desempenhando papel fundamental no desenvolvimento infantil. É durante o descanso que ocorrem processos importantes relacionados à memória, ao aprendizado, ao crescimento e à recuperação física e mental.
O especialista recomenda que as famílias aproveitem as férias para estimular experiências que ocupem o dia de forma saudável. Passeios ao ar livre, visitas a museus, brincadeiras coletivas, esportes, jogos de tabuleiro e atividades manuais ajudam a manter as crianças ativas e reduzem o tempo de exposição às telas.
“A ideia é concentrar o sono durante a noite para aproveitar o dia com atividades. As férias são uma oportunidade para fazer coisas diferentes, descobrir novos interesses e conviver mais com outras pessoas”, afirma.
O médico destaca que nem sempre é necessário investir em programas caros. Parques, praças, bibliotecas, centros culturais e atividades comunitárias podem oferecer experiências enriquecedoras e contribuir para uma rotina mais equilibrada. Ele ainda reforça que o objetivo não é transformar as férias em uma extensão da rotina escolar, mas encontrar um equilíbrio entre liberdade e bem-estar.
“Férias não precisam ser um período de regras rígidas. Mas também não precisam significar abandonar completamente os hábitos saudáveis. O importante é que as crianças tenham tempo para brincar, descansar e aproveitar o dia, sem abrir mão de um sono de qualidade”, finaliza Moreira.

















