Condições crônicas como Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa afetam cada vez mais pessoas, podem comprometer seriamente a qualidade de vida e exigem diagnóstico precoce para evitar complicações graves.
Dor abdominal frequente, diarreia persistente, perda de peso e alterações intestinais que parecem não ter explicação podem ser mais do que desconfortos passageiros. Esses sintomas podem indicar a presença das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), um grupo de condições crônicas que vêm sendo diagnosticadas com cada vez mais frequência e que exigem atenção especializada.
As DIIs provocam inflamação contínua no trato digestivo e podem impactar significativamente a rotina, a alimentação, a disposição física e o bem-estar emocional dos pacientes. Embora não tenham cura definitiva, podem ser controladas com tratamento adequado, permitindo qualidade de vida e controle dos sintomas.
Segundo o Dr. Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia, o maior desafio ainda é o diagnóstico precoce.
“As doenças inflamatórias intestinais costumam apresentar períodos de melhora e piora, o que muitas vezes leva o paciente a adiar a procura por ajuda médica. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de controlar a inflamação e evitar complicações”, explica.

As formas mais conhecidas das DIIs são:
– Doença de Crohn: pode acometer qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus, atingindo inclusive camadas mais profundas da parede intestinal.
– Retocolite Ulcerativa: afeta principalmente o intestino grosso e o reto, provocando inflamação contínua e formação de úlceras na mucosa intestinal.
Ambas podem evoluir de forma imprevisível e apresentar diferentes graus de intensidade. Os sinais mais comuns incluem:
– Dor abdominal recorrente;
– Diarreia persistente;
– Sangramento intestinal;
– Perda de peso sem causa aparente;
– Cansaço excessivo;
Além dos sintomas intestinais, a doença pode provocar manifestações em outras partes do corpo, como inflamações nas articulações, pele, olhos e fígado.
Possíveis complicações
Sem acompanhamento adequado, as doenças inflamatórias intestinais podem aumentar o risco de problemas importantes, entre eles:
– Formação de coágulos sanguíneos;
– Inflamações articulares e oculares;
– Colangite esclerosante primária;
– Estreitamentos e obstruções intestinais;
– Maior risco de câncer colorretal.
– O que causa a doença?
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida, especialistas acreditam que as DIIs resultam de uma combinação de predisposição genética, alterações do sistema imunológico e fatores ambientais.
“Nesses pacientes, o sistema imunológico reage de forma inadequada contra bactérias naturalmente presentes no intestino, gerando um processo inflamatório persistente”, explica o Dr. Ernesto Alarcon.
Fatores como estresse, alimentação inadequada e hábitos de vida pouco saudáveis não são considerados causas diretas da doença, mas podem contribuir para o agravamento dos sintomas e das crises. Porém, alguns fatores devem ser observados, entre eles: Histórico familiar, tabagismo e estilo de vida sedentário.
O tratamento é individualizado e depende da gravidade e da extensão da doença. Entre as opções terapêuticas estão: Medicamentos anti-inflamatórios, corticoides,
imunossupressores, suplementação nutricional, controle da dor e dos sintomas.
Nos casos mais graves, pode ser necessária intervenção cirúrgica para retirada de segmentos comprometidos do intestino.
Apesar de ser uma condição crônica, a doença pode ser controlada de forma eficaz quando diagnosticada precocemente e acompanhada por uma equipe médica especializada.
“O tratamento adequado permite reduzir a inflamação, controlar os sintomas e proporcionar uma vida ativa e produtiva ao paciente. O mais importante é não ignorar os sinais do corpo”, finaliza o Dr. Ernesto Alarcon

















