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Por que a atenção aos idosos deve ser redobrada durante o inverno?

Freepik - Divulgação

Com as temperaturas baixas aumentando riscos relacionados a doenças respiratórias, agravamento de condições crônicas e quedas dentro de casa, é essencial intensificar os cuidados com a saúde e a segurança dos mais velhos

No inverno, alguns sinais costumam passar despercebidos na rotina dos idosos: a garrafa de água que permanece cheia por horas, a dificuldade maior para sair da cama, o desânimo para caminhar pela casa ou até a tosse leve que parece inofensiva nos primeiros dias. Aos poucos, pequenas mudanças de comportamento e hábitos típicos das temperaturas mais baixas podem comprometer equilíbrio, imunidade, mobilidade e bem-estar, principalmente entre pessoas mais velhas, que tendem a responder de forma mais sensível ao frio.

É justamente por isso que os cuidados precisam ser intensificados durante esse período. Segundo Vitor Hugo de Oliveira, médico geriatra e cofundador da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina, o envelhecimento reduz a capacidade do corpo de responder às mudanças de temperatura. “O organismo do idoso possui mais dificuldade para conservar calor e reagir rapidamente a infecções. Isso faz com que doenças respiratórias e complicações clínicas avancem com mais facilidade durante o inverno”, explica.

Gripes, pneumonias, bronquites e crises respiratórias estão entre os problemas mais frequentes nessa época do ano, especialmente em idosos com doenças cardiovasculares, diabetes ou condições pulmonares crônicas. Por isso, manter a vacinação atualizada e acompanhar sintomas como tosse persistente, cansaço excessivo, febre e dificuldade para respirar se torna indispensável.

Outro cuidado importante envolve a hidratação. Com menos sensação de sede, muitos idosos diminuem o consumo de água sem perceber. A consequência pode incluir desidratação, queda de pressão, confusão mental e aumento do risco de infecções urinárias. “Muita gente associa hidratação apenas ao calor, mas ela continua sendo fundamental no frio. O ideal é estimular a ingestão de líquidos ao longo do dia, mesmo sem sede aparente”, orienta Vitor Hugo.

O frio também interfere diretamente na mobilidade – com temperaturas mais baixas, é comum que idosos reduzam a movimentação por causa do desconforto nas articulações e da sensação de rigidez muscular. Permanecer muito tempo sentado ou deitado, porém, contribui para perda de força, piora do equilíbrio e aumento do risco de quedas.

Segundo Jéssica Ramalho, fisioterapeuta e CEO da Acuidar, manter o corpo ativo é uma das medidas mais importantes durante o inverno. “Mesmo dentro de casa, o ideal é incentivar pequenas caminhadas, alongamentos leves e mudanças frequentes de posição. O movimento ajuda a preservar mobilidade, circulação e autonomia”, afirma.

As quedas, inclusive, estão entre os acidentes mais comuns nessa época do ano. Tapetes soltos, pisos frios, meias escorregadias, corredores mal iluminados e excesso de roupas podem comprometer os movimentos e aumentar acidentes domésticos. Entre as recomendações estão o uso de calçados antiderrapantes, reforço na iluminação e organização dos espaços para facilitar a circulação.

Outro ponto importante envolve a saúde emocional. Durante o frio, muitos idosos tendem a se isolar mais, reduzindo atividades sociais e o contato frequente com familiares. Esse afastamento pode afetar humor, cognição e disposição ao longo dos meses.

Nesse período, o acompanhamento próximo faz diferença não apenas para auxiliar nas tarefas diárias, mas também para identificar mudanças sutis no comportamento e na saúde. A presença de um cuidador ajuda a monitorar alimentação, hidratação, administração correta de medicamentos e até sinais iniciais de doenças.

“O acompanhamento diário permite perceber alterações que nem sempre são verbalizadas pelo idoso. Muitas vezes, uma mudança no apetite, no sono ou no humor já funciona como alerta para investigar algo mais sério”, destaca Jéssica.

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