Fonoaudióloga especialista em Audiologia Clínica orienta sobre prevenção e sinais que podem indicar danos à audição
Com a aproximação de grandes eventos esportivos e o aumento do tempo de exposição a ambientes barulhentos, a especialista chama atenção para um cuidado que costuma ficar em segundo plano entre torcedores: a proteção da saúde auditiva.
Estádios, bares, encontros para assistir aos jogos e até transmissões em casa podem reunir diferentes fontes de ruído, como gritos, buzinas, apitos, fogos de artifício e sistemas de som em volume elevado. Quando essa exposição ocorre por períodos prolongados ou de forma repetida, o impacto sobre a audição pode ser significativo.
Segundo a fonoaudióloga Ariane Bonucci, especialista em Audiologia Clínica, mestre em Ciências Médicas e sócia-fundadora do Espaço da Audição, a exposição contínua a sons intensos pode provocar alterações auditivas temporárias ou permanentes.
“A exposição prolongada a sons intensos pode causar danos às células sensoriais da audição, localizadas no ouvido interno. Essas estruturas são extremamente delicadas e, uma vez lesionadas, não se regeneram”, explica.
De acordo com a especialista, os efeitos variam conforme a intensidade do som e o tempo de exposição. Entre os sintomas mais comuns estão zumbido, sensação de ouvido tampado, desconforto auditivo e dificuldade para compreender conversas.
Ariane destaca que um dos principais desafios relacionados à perda auditiva é o fato de ela frequentemente evoluir de forma silenciosa.
“Muitas pessoas só percebem alterações quando os sintomas já começam a interferir na rotina e na comunicação”, afirma.
Outro hábito que merece atenção, especialmente durante períodos de transmissões esportivas, é o uso prolongado de fones de ouvido.
Segundo a especialista em Audiologia Clínica, o risco está diretamente relacionado ao volume utilizado e ao tempo de exposição. Durante partidas e eventos esportivos, é comum que usuários aumentem o som para acompanhar comentários ou reduzir ruídos externos, ampliando a pressão sonora diretamente sobre o sistema auditivo.
Para reduzir riscos, a orientação é manter o volume em níveis moderados, realizar pausas durante o uso e, sempre que possível, optar por fones com cancelamento de ruído externo, que ajudam a reduzir a necessidade de aumentar excessivamente o som.
Além do uso com correto dos fones, algumas medidas preventivas podem contribuir para preservar a audição em ambientes com alta intensidade sonora.
Entre elas estão evitar permanecer próximo de caixas de som, limitar o tempo de permanência em locais muito barulhentos, fazer intervalos em ambientes silenciosos e utilizar protetores auditivos quando necessário.
A especialista também recomenda atenção aos primeiros sinais de alerta após eventos esportivos ou momentos de grande exposição sonora.
Zumbido persistente, sensação de abafamento nos ouvidos, necessidade de aumentar constantemente o volume da televisão ou dificuldade para compreender diálogos podem indicar que a audição foi impactada.
Crianças, idosos e pessoas que já apresentam sensibilidade auditiva exigem atenção ainda maior. Crianças possuem estruturas auditivas em desenvolvimento, enquanto idosos frequentemente convivem com alterações relacionadas ao envelhecimento. Já pacientes com zumbido ou hiperacusia podem apresentar piora dos sintomas quando expostos ao excesso de ruído.
Outro ponto destacado por Ariane Bonucci é a importância da prevenção e dos exames periódicos.
Segundo ela, avaliações auditivas periódicas permitem identificar alterações precoces e ampliar as possibilidades de orientação e acompanhamento especializado.
“A perda auditiva costuma ser progressiva e o diagnóstico precoce contribui para preservar a comunicação, a participação social e a qualidade de vida”, afirma.
A especialista ressalta ainda que cuidar da audição deve ser encarado como parte dos cuidados gerais com a saúde, especialmente em períodos de maior exposição sonora.
Sobre
Ariane Bonucci é fonoaudióloga, especialista em Audiologia Clínica e mestre em Ciências Médicas. Com mais de 20 anos de experiência na área, é sócia-fundadora do Espaço da Audição e atua com foco em prevenção, diagnóstico e tratamento da saúde auditiva.
Autor
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João Costa é jornalista, assessor de imprensa, relações públicas com mais de 20 anos de experiência. Colunista internacional, é membro da Associação Paulista de Imprensa, da Associação Brasileira de Imprensa e Mídia Eletrônica e é registrado na Federação Nacional dos Jornalistas.
Instagram: @joaocostaooficial















