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Bandolinista de São Bernardo, lança álbum concebido para dois bandolins

Projeto dos bandolinistas Maik Oliveira e Rafael Esteves apresenta as possibilidades sonoras do bandolim, um dos instrumentos mais emblemáticos da música brasileira, mesclando choro com música instrumental e de câmera.

O bandolinista Maik Oliveira, que nasceu em Diadema e residiu em São Bernardo do Campos por 31 anos, comemora um momento ímpar na carreira com o lançamento do álbum Dobras, trabalho do Banduo, duo de bandolins que ele integra ao lado de Rafael EstevesDobras, já disponível nas plataformas música, faz parte do projeto Banduo – O Bandolim e Suas Texturas,lançado pelo duo em 2025, no qual explora as possibilidades sonoras do bandolim.

Com direção musical de Alisson Amador, o álbum apresenta 10 faixas inéditas, entre composições próprias e de outros autores, feitas especialmente para o Banduo. Os arranjos trazem assinaturas de quatro instrumentistas, referências na cena contemporânea – Edmilson CapelupiMilton MoriMarcílio Lopes e Alisson Amador, além do próprio Rafael Esteves.

Capa – Banduo -Dobras

Nesse dueto, o virtuosismo de Maik Oliveira e Rafael Esteves é aplicado às possibilidades do bandolim, mesclando influências do choro com a música instrumental e de câmara (com destaque para J.S. Bach) em busca de sonoridades inovadoras e potentes. O flerte com a música camerística traz uma singularidade muito em virtude da formação inusitada de dois bandolins. Os músicos ressaltam a importância desse encontro sonoro de dois instrumentistas que começaram tocando samba e pagode na periferia de São Paulo – Maik em São Bernardo do Campo e Rafael em Guarulhos – até iniciarem no universo do choro. E agora, o encontro com Alisson Amador, músico de formação clássica, natural de Heliópolis, que chegou para contribuir, inicialmente como professor de rítmica, chegando à direção musical pela sintonia identitária com os artistas e com o trabalho do Banduo.

Abrindo o álbum, “Estudo em G Menor” (Rafael Esteves) tem arranjo do autor e de Milton Mori. Nasceu como um estudo de técnica e ganhou uma segunda voz de bandolim no arranjo de Mori. Uma surpresa no meio do caminho, referindo-se à tonalidade, dá uma bela prévia do que vem pela frente. A segunda faixa, “Manu” (Edmilson Capelupi), com arranjo do autor, foi composta especialmente para o Banduo; uma “polca saltitante” em homenagem à Manu, filha de Maik. A faixa evidencia a beleza do instrumento em três partes com funções muito bem definidas: Maik no acompanhamento e Rafael no solo para finalizar em equilíbrio e harmonia entre os dois bandolins.

Banduo (Maik e Rafael) -foto de Rebeca Figueiredo -2b

As próximas composições – Suíte Banduo (Rafael Esteves) – traz os três movimentos tradicionais da música de câmara. Criação do autor e arranjador para esse trabalho, a primeira, “Suite Banduo: I. Joropo”, é uma valsa em referência ao homônimo gênero tradicional venezuelano, de ritmo alegre e dançante. “Suíte Banduo: II. Valsa Evocativa”, como o próprio nome sugere, é mais lenta, melancólica; uma valsa-choro na qual a mistura incomum do erudito com o choro popular se converge na beleza nesse arranjo. No terceiro movimento, “Suíte Banduo: III. Choro”, o arranjo retoma o tom alegre, vibrante, como o bandolim tradicional tocando choro.

A sexta faixa, “Portal Favela” (Alisson Amador), tem significado amplo em Dobras – com arranjo do autor. A composição foi inspirada no encontro entre os três músicos. O tema narra a história desses artistas que atravessaram o ‘portal periférico’ e celebram juntos na música, no ritmo, na arte desse trabalho. Seguindo, vem “Leonor” (Maik Oliveira e Rafael Esteves), cuja primeira parte havia sido composta por Rafael, há tempos. Maik entrou com seu talento na criação da segunda parte e Rafael fechou a obra. A faixa, muito representativa desse projeto dos bandolinistas, conta com arranjo assinado por Marcilio Lopes, que ressalta as características do regional de choro, e tem participação especial de Milton Mori no violão tenor. Marcílio e Mori também estão presentes em “Brandura de Gênio” (Rafael Esteves) que, assim como a música anterior, tem destaque na sonoridade do regional de choro. A composição de Rafael é uma homenagem ao amigo Beto Casemiro, bandolinista do ABC falecido em 2020.

Chegando no final vem o belo choro “Conversa de Bandolins” (Milton Mori), composto especialmente para Dobras. A música marcou o início dos estudos de Maik Oliveira e Rafael Esteves para o álbum, sendo um deleite para o duo ao possibilitar o trânsito pelas nuances rítmicas e harmônicas do bandolim. Também arranjador da faixa, Mori a compôs pensando unicamente no instrumento em questão. O choro ritmado “Não Foi Dessa Vez!” (Maik Oliveira) fecha o álbum em arranjo primoroso de Edmilson Capelupi, que explora a densidade rítmica e harmônica do instrumento com nuances provocativas, deixando a parte final para o improviso livre dos bandolinistas. Maik compôs a música para um festival, estimulado por seu amigo e professor Renan Bragatto, mas não a tempo de se inscrever, permanecendo inédita até o momento.

Serviço

Lançamento/álbum (27/2/26): Banduo – Dobras

Artistas:Maik Oliveira e Rafael Esteves

Nas principais plataformas digitais de música.

Selo: Independente. Distribuição digital: PiÔ – Produção e Projetos

Banduo na rede: instagram – @obanduo

SHOWS – Gratuitos

AVARÉ: 12/03 – Quinta, às 20h

Local: Auditório do IFSP Campus Avaré

Av. Prof. Celso Ferreira da Silva, 1333 – Jardim Europa II, Avaré/SP.

MORUNGABA: 04/04 – Sábado, às 20h

Local: Teatro Municipal Fioravante Frare

Rua Pereira Cardoso, 377. Morungaba/SP.

GUARULHOS: 18/04 – Sábado, às 19h30

Local: Teatro Padre Bento

Rua Francisco Foot, 03 – Jd. Tranquilidade. Guarulhos/SP.

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