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Carnaval do sofá: 7 em cada 10 brasileiros vão passar o feriado em casa

Créditos da foto: Divulgação

Medo nas ruas: 57,8% admitem que a insegurança é o que mais preocupa na hora de sair e 81,2% temem o “perrengue” da falta de banheiros nos blocos
Streaming substitui o confete: 48% dos brasileiros vão passar o feriado maratonando séries enquanto pizza e churrasco dominam o cardápio caseiro

O Carnaval de 2026 promete ser lembrado não pelo barulho das baterias, mas pelo conforto da sala de casa. Em pesquisa inédita realizada pela Hibou, Instituto especializado em monitoramento e insights de consumo, em parceria com a Score, Agência de Brand & Shopper Experience do ecossistema Biosphera.ntwk, revela um comportamento inesperado: a grande maioria dos brasileiros não querem pular Carnaval. Segundo o levantamento feito com 1.714 respondentes em todo o país, 73,2% da população pretende ficar em casa durante os dias de folia. O estudo aponta que o feriado se transformou oficialmente no “período nacional do descanso”, com apenas 7,3% planejando pular em bloquinhos e uma parcela mínima de 4,6% viajando para a praia.

Maratona de séries desbanca o desfile na Sapucaí

Para quem vai ficar em casa, o plano de “folia” é tecnológico. O streaming será o melhor amigo do brasileiro: 62,5% dos entrevistados já elegeram a Netflix como companheira oficial, seguida pelo Amazon Prime (29,7%) e YouTube (24,4%). Os planos são claros: 48% querem maratonar filmes e séries, 36,3% pretendem apenas dormir muito, sendo que esse número sobe mais ainda entre os brasileiros de até 34 anos que supostamente deveriam ser os mais animados (47%) e 27,3% afirmam que o objetivo é “não fazer nada”. Além disso, a faxina doméstica (27%) e a leitura de livros (21,5%) ganharam mais espaço na agenda do que assistir aos desfiles pela TV, opção de apenas 16,1% da população.

“O brasileiro está usando o feriado para recuperar o fôlego mental. E com mais da metade das pessoas considerando a data como um descanso para a mente, a indústria do entretenimento doméstico e do delivery ganha um apelo gigantesco, enquanto a folia de rua luta para manter seu apelo diante de uma população exausta”, analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.

O menu da ‘não-folia’: churrasco, pizza e água dominam os lares

Longe das dietas rigorosas, o cardápio caseiro será de indulgência. O churrasco lidera a preferência nacional com 11%, acompanhado de perto pela pizza (9%), delivery (7%) e sorvete (7%). A lista de desejos inclui ainda comida congelada (6%), lanches (5%) e massas (4%). Para beber, a sobriedade impera na hidratação: a água é a bebida oficial para 55%, seguida por sucos (49,3%) e refrigerantes (46,1%). As bebidas alcoólicas aparecem com menor frequência, sendo a cerveja e o vinho citados por 25% e os destilados por apenas 15,3%.

Pets pulando carnaval no sofá

O cuidado com os animais também entrou na conta: 73,2% dos tutores garantem que seus pets passarão o feriado ao lado deles em casa. No fim das contas, o Carnaval de 2026 é sobre paz: 51,8% definem o período como um “descanso para a mente” e 25,4% como a “hora de curtir a família”.

Insegurança e falta de higiene afastam foliões das ruas

Para a minoria que ainda se arrisca nas ruas, o sentimento é de alerta. O “momento pular carnaval” é ofuscado por preocupações reais: 57,8% dos foliões estão assustados com a segurança nas ruas e 24,5% reclamam dos preços abusivos das bebidas. Na hora do aperto, o maior “perrengue” citado por 81,2% é a dificuldade de encontrar banheiros, seguido pela falta de segurança (51%) e pelo excesso de gente em espaços pequenos (41,9%). Mesmo assim, para quem vai, os itens essenciais são água (65,2%), amigos (64%) e um trio elétrico animado (63,4%).

“A insegurança é o grande balde de água fria do Carnaval moderno. Quando mais da metade da população aponta o medo como uma barreira, o consumo se retrai para ambientes controlados. O folião quer diversão, mas não abre mão da integridade física”, pontua Ligia Mello.

O Brasil não ‘espera’ mais o Carnaval

A pesquisa também derrubou mitos culturais. O tradicional ditado de que “o Brasil só volta a funcionar depois do Carnaval” está perdendo força: 40,2% acreditam que isso ainda acontece, mas 22,1% afirmam que essa realidade já ficou no passado. No campo musical, as preferências se mantêm tradicionais: as marchinhas lideram com 43,3%, seguidas pelo axé (34,5%) e o samba (27,7%) de preferência nacional. Apenas 0,9% declaram que não gostam de músicas de Carnaval.

Feriado do bolso vazio

A crise econômica também dita o ritmo da festa. Somente metade dos brasileiros (49,4%) pretende gastar, no máximo, R$250 extras além de sua rotina financeira normal. Já 22,9% afirmam categoricamente que não vão gastar absolutamente nada a mais. Apenas uma elite de 0,4% planeja ostentar gastos acima de R$4 mil no período. Esse comportamento reflete também a escolha do tipo de transporte para os 10,1% que vão viajar: 72,6% usarão carro próprio para economizar e fugir de passagens caras.

“O que a pesquisa mostra não é um desinteresse pelo Carnaval, mas uma mudança clara de território de consumo. O brasileiro continua querendo viver o clima da data, só que agora em ambientes controlados, confortáveis e mais previsíveis. Para as marcas, isso desloca a atenção da rua para a casa, da ativação física para a experiência integrada entre conteúdo, digital, delivery e entretenimento. O Carnaval de 2026 é menos sobre presença e mais sobre pertinência”, analisa Albano, CSO da Score.

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Repórteres: Laura Leite, Hugo Pereira

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