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Mau hálito nem sempre é falta de escovação? Dentista explica o que pode estar por trás do problema

Dra. Natália Janardi explica por que a halitose pode ter diferentes causas e quando o problema merece uma avaliação profissional

O mau hálito costuma ser rapidamente associado à falta de escovação. Embora os cuidados com dentes, gengiva e língua sejam fundamentais, nem sempre aumentar a quantidade de escovações é suficiente para resolver o problema. A halitose pode estar relacionada a diferentes fatores e, quando persiste, merece atenção.

Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, entre as possíveis causas do mau hálito estão higiene bucal inadequada, gengivite, consumo de determinados alimentos, tabaco, bebidas alcoólicas e boca seca. O órgão também cita algumas condições sistêmicas entre os fatores que podem estar associados ao problema.

Para a cirurgiã-dentista Dra. Natália Janardi, perceber a frequência com que o mau hálito aparece é um ponto importante.

“Uma coisa é perceber uma alteração depois de consumir determinado alimento ou ao acordar. Outra é conviver frequentemente com o mau hálito mesmo mantendo os cuidados de higiene. Quando ele persiste, precisamos investigar o que está acontecendo em vez de simplesmente tentar mascarar o odor”, explica.

A língua também precisa de atenção

Um dos pontos que podem passar despercebidos durante a higiene é a língua. De acordo com o Ministério da Saúde, restos alimentares, células descamadas e bactérias podem se acumular em sua superfície, formando uma camada conhecida como saburra lingual, apontada pelo órgão como uma importante causa do mau hálito.

Por isso, cuidar da boca não significa apenas escovar os dentes.

“Existe uma tendência de concentrar toda a higiene nos dentes e esquecer a língua e os espaços entre eles. Escovação adequada, fio dental e higiene da língua fazem parte do conjunto de cuidados. Quando alguma dessas etapas é negligenciada, podemos favorecer o acúmulo de resíduos e bactérias”, afirma Natália.

A gengivite é outro fator que merece atenção. O Ministério da Saúde a define como uma inflamação da gengiva provocada pela placa bacteriana. Sangramento durante a escovação ou uso do fio dental, alterações na gengiva e mau hálito persistente são situações que justificam uma avaliação odontológica.

Boca seca também pode favorecer o problema

Outro fator menos lembrado é a quantidade de saliva. O Ministério da Saúde informa que a boca seca pode estar relacionada ao uso de determinados medicamentos ou a outras condições de saúde. A redução da saliva, além de provocar desconforto, pode favorecer cáries e estar associada ao mau hálito.

“A saliva desempenha funções importantes na cavidade oral. Por isso, quando o paciente relata boca seca acompanhada de mau hálito frequente, precisamos olhar para o quadro de forma individualizada e entender o que pode estar contribuindo para aquela alteração”, explica a dentista.

A própria alimentação também pode provocar episódios temporários. Alho e cebola estão entre os exemplos citados pelo Ministério da Saúde, assim como bebidas alcoólicas e tabaco.

Chiclete e bala não resolvem a causa

Na tentativa de evitar constrangimentos, é comum recorrer a balas, chicletes, sprays ou enxaguantes para esconder o odor. O problema é que mascarar temporariamente o hálito não significa tratar sua origem.

“Se existe uma causa por trás daquele mau hálito, disfarçar o cheiro não resolve. O mais importante é descobrir por que aquilo está acontecendo. Dependendo do caso, podemos identificar uma questão relacionada à própria saúde bucal ou perceber a necessidade de uma investigação complementar”, destaca Natália.

A orientação do Ministério da Saúde inclui escovação adequada, uso do fio dental, limpeza da língua e acompanhamento regular com o cirurgião-dentista como medidas importantes para a manutenção da saúde bucal.

Para Natália, o mau hálito persistente não deve ser tratado apenas como uma questão estética ou motivo de constrangimento.

“Muitas pessoas têm vergonha de falar sobre isso e acabam tentando resolver sozinhas. É uma queixa comum e que pode ser investigada. Quanto antes entendemos a origem, mais adequado pode ser o cuidado”, conclui.

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