Febre, coriza e dores pelo corpo podem aparecer antes das manchas e médica explica quando procurar atendimento
Uma doença que durante muito tempo parecia distante da rotina dos consultórios voltou a exigir atenção das famílias. O sarampo, conhecido principalmente pelas manchas avermelhadas na pele, pode começar de maneira semelhante a outras infecções virais, o que torna ainda mais importante saber reconhecer os primeiros sinais e procurar assistência médica diante de uma suspeita.
Maria de Fátima Mota, pediatra do Hospital Saint Patrick, chama atenção para a relação entre a circulação da doença e a fragilidade da cobertura vacinal. “Nós temos uma vacina que é muito eficaz, mas os pais estão esquecendo de dá-la para as crianças, e isso está fazendo com que ocorra essa doença que praticamente estava extinta na nossa comunidade”.
O alerta se torna ainda mais importante porque o sarampo não começa necessariamente pelas manchas que costumam ser associadas à doença. Febre, coriza, dores intensas pelo corpo e alterações nos olhos podem aparecer primeiro. Somente depois as lesões avermelhadas tendem a surgir, inicialmente na região da face e atrás das orelhas, espalhando-se pelo corpo.
“Pode começar com uma hiperemia de conjuntiva, pode começar com uma coriza, com a febre e evoluir. Aí, sim, irão aparecer as manchas vermelhas, principalmente no rosto, atrás das orelhas, e vai evoluindo para o corpo inteiro”, explica a especialista.
Se a criança apresentar sintomas compatíveis, especialmente depois de ter tido contato com alguém diagnosticado ou com suspeita da doença, os responsáveis devem procurar atendimento médico. Um detalhe importante é avisar sobre a suspeita antes mesmo de permanecer em uma sala de espera junto a outros pacientes. O cuidado é necessário porque o sarampo apresenta alta capacidade de transmissão.
“Chegando no pronto-atendimento, é preciso falar que pode ser sarampo, porque essas crianças têm que ficar isoladas das outras crianças e dos outros adultos, porque é muito fácil o contágio”, orienta Maria de Fátima. Segundo ela, a transmissão acontece por meio das secreções respiratórias. “É por um espirro, é por uma saliva, é chegar perto dessas secreções respiratórias, porque a transmissão é basicamente respiratória”.
Outro equívoco que preocupa a médica é tratar o sarampo como uma doença infantil sem maiores consequências. Embora muitos pacientes evoluam sem complicações graves, a infecção pode provocar quadros que exigem atendimento hospitalar. “A maioria das pessoas pensa que sarampo é só um vermelho na pele e febre. Não. O sarampo pode trazer consequências graves, inclusive a morte”, alerta.
Entre as complicações possíveis estão pneumonia e encefalite. Nos casos de comprometimento neurológico grave, podem existir consequências duradouras. “Ela pode não andar, pode perder o cognitivo de poder falar, de ir para a escola. Então, podem ser sequelas bem graves”.
Também não existe um medicamento específico que simplesmente elimine o sarampo depois da infecção. O tratamento é direcionado aos sintomas e às complicações apresentadas por cada paciente. Hidratação e acompanhamento médico são fundamentais. “Teve febre, medicação para febre. Teve uma pneumonia, nós vamos tratar a pneumonia. Teve uma encefalite, nós vamos tratar a encefalite. Mas uma medicação para o sarampo em si não existe”, explica.
É justamente por não haver um tratamento antiviral específico para a doença que a prevenção ganha ainda mais importância. Para Maria de Fátima, o momento deve servir também para os adultos olharem para a própria situação vacinal, e não apenas para a carteira dos filhos.
“É muito importante hoje ter um dever de casa: ver a carteira de vacina do filho e ver a sua própria carteira de vacina”, recomenda. Quem não possui mais o documento ou não sabe quais doses recebeu deve procurar uma unidade de saúde para que seu histórico seja avaliado.


















