A mudança na aparência do ator Jonatas Faro durante “A Fazenda 18” gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu uma discussão importante: até onde os procedimentos estéticos podem ir sem comprometer a saúde e a identidade do paciente? Para além da curiosidade sobre celebridades, o caso abre espaço para refletir sobre ética, segurança e impacto psicológico da estética.
A biomédica e especialista em estética Simone Silva explica que o profissional não deve apenas atender aos desejos do paciente, mas avaliar riscos e propor alternativas seguras. “Dizer ‘não’ também é uma forma de cuidado. A estética deve valorizar características individuais, e não transformar todos os rostos em um mesmo padrão”, afirma. Segundo ela, quando a solicitação é excessiva ou incompatível com uma conduta responsável, o profissional precisa recusar ou adiar a intervenção.
Em um mercado com tantas opções disponíveis, Simone alerta para sinais de práticas perigosas. “O primeiro passo é verificar se o profissional possui formação e registro no conselho da área”, orienta. “Promessas de resultado perfeito, preços muito abaixo do mercado ou pressão para decidir rápido também devem servir como alerta”. Para ela, o papel da biomédica estética vai além da execução de técnica.: “Ela deve ajudar o paciente a tomar decisões conscientes, explicando riscos, limitações e construindo um plano individualizado. Educar em saúde e estética significa combater expectativas irreais e mostrar que nem toda tendência serve para todas as pessoas”.
Ela acrescenta ainda: “O paciente precisa entender que estética não é mágica, é ciência aplicada com responsabilidade. O resultado depende de limites biológicos e da individualidade de cada pessoa”.

“A estética deve valorizar características individuais, e não transformar todos os rostos em um mesmo padrão”
Pressão das redes e impactos psicológicos
O caso de Jonatas Faro ilustra como a exposição pública potencializa debates. “Filtros e comparações constantes criam padrões pouco realistas e influenciam a busca por procedimentos”, observa Simone. “O profissional deve trazer a decisão para a realidade do paciente, evitando reproduzir automaticamente o rosto de uma celebridade”, ressalta. Ela lembra que o próprio ator declarou estar satisfeito com suas escolhas, onde disse “Não considero adequado rotular o resultado de outra pessoa como ‘desfiguração’ sem avaliação clínica”.
Vale lembrar que o Brasil é a segunda maior potência mundial quando o assunto é cirurgia plástica, ficando apenas atrás dos Estados Unidos. E em um mundo em que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) quase 1 bilhão de pessoas convivem com algum tipo de transtorno, é plausível pensar que a busca incessante por mudanças estéticas pode indicar sofrimento emocional. “Quando o paciente nunca se sente satisfeito e acredita que cada procedimento resolverá problemas pessoais, é preciso cautela. Nesses casos, interromper o plano estético e recomendar avaliação psicológica pode ser a conduta mais responsável”, acrescenta a biomédica.
Ela também observa diferenças culturais entre homens e mulheres, mas destaca que estão diminuindo: “Entre os homens, a procura cresceu, mas muitas vezes ligada a contorno facial, qualidade da pele e sinais de cansaço. O mais importante é não trabalhar com fórmulas rígidas de gênero, mas respeitar objetivos e anatomia de cada pessoa”.
Simone ressalta que o importante é sempre avaliar cada pessoa como única. “A pressão estética não é apenas sobre aparência, mas sobre aceitação social. Por isso, precisamos olhar para o paciente como um ser integral, não apenas como um rosto a ser modificado”.

Em muitos casos, a busca incessante por melhorias estéticas está ligada a transtornos na saúde mental
Tendências e a naturalidade no futuro da estética
Sobre tendências, Simone explica que a harmonização facial continua popular, mas com novos rumos. “Existe uma tendência de resultados mais sutis e individualizados, com foco em preservar identidade e tratar o envelhecimento de forma global”, afirma.
Para o futuro, ela acredita em uma estética cada vez mais personalizada e preventiva: “A tendência é combinar tecnologias, procedimentos minimamente invasivos e tratamentos regenerativos de forma criteriosa, sempre respeitando evidências e segurança. O futuro da estética será menos sobre criar rostos iguais e mais sobre preservar a identidade”.
E conclui: “O futuro da estética será pautado pela naturalidade. Menos exagero, mais equilíbrio. O paciente vai buscar se sentir bem consigo mesmo, e não apenas atender a um padrão imposto”.
Serviço:
Studio de Beleza Simone Silva
Rua Itiruçu, 219 – Jardim Pres. Dutra, Guarulhos/SP
Informações: (11) 2536-7357 e @studio_simonebelezaeestetica


















