É curioso como percebemos o cansaço das pessoas que amamos.
Dizemos que aquele amigo precisa desacelerar. Que nossa irmã deveria descansar. Que o colega de trabalho está sobrecarregado. Enxergamos com clareza quando alguém está no limite, mas, quando o assunto somos nós, a conversa muda.
“É só uma semana mais puxada”, “Depois das férias eu melhoro”, “Quando esse projeto terminar, eu descanso.”
Sempre existe uma explicação convincente para continuar, talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de autossabotagem, transformar sinais de esgotamento em justificativas para permanecer no mesmo ritmo.
Aos poucos, normalizamos o que nunca deveria ser normal: dormir sem descansar…perder a paciência por qualquer coisa…não sentir prazer nas pequenas alegrias…estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se vazio.
O mais preocupante é que o esgotamento raramente chega de forma abrupta. Ele se instala devagar, quase sem pedir licença. Um dia você deixa de almoçar com calma. No outro, responde e-mails de madrugada. Depois, começa a acreditar que descansar é perda de tempo e que pedir ajuda significa fraqueza. Quando percebe, sobreviver virou rotina.
Vivemos em uma sociedade que elogia quem suporta tudo. Admiramos agendas lotadas, disponibilidade constante e produtividade sem pausas. Pouco a pouco, passamos a acreditar que o cansaço é o preço inevitável de uma vida bem-sucedida.
A pergunta errada que fazemos “por que estou tão cansado?”, a correta seria “em que momento comecei a acreditar que precisava ignorar a mim mesmo para dar conta de tudo?”
Porque o corpo quase sempre sussurra antes de gritar, e talvez o maior sintoma do nosso tempo não seja o excesso de tarefas.
Seja a facilidade com que encontramos desculpas para cuidar de todos… menos de nós mesmos.
Amar também é cuidar de si em primeiro lugar e a maior dificuldade em colocar limites.
Autor
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro


















