Por Cintia Castro
Vivemos em uma era em que ser “suficiente” parece nunca ser o bastante.
O medo de decepcionar o outro, a família, o trabalho, o parceiro, até a si mesmo se tornou um dos maiores aprisionamentos emocionais do nosso tempo.
É um medo disfarçado de perfeccionismo, de responsabilidade, de “vontade de fazer o melhor”, mas por trás dele, existe uma dor antiga: o medo de não ser amado se não for admirado.
Desde cedo, aprendemos que reconhecimento vem com desempenho.
Que carinho vem depois do acerto.
Que amor precisa ser conquistado.
E assim, crescemos acreditando que falhar é o mesmo que perder valor que errar decepciona, e decepcionar é ser menos digno de afeto.
A consequência?
Uma geração inteira emocionalmente exausta, tentando provar o tempo todo que é boa o bastante.
Postando, entregando, sorrindo, enquanto, por dentro, há uma cobrança constante: “Será que estou à altura?”
Vivemos em uma cultura da aprovação, onde o medo de decepcionar é o que dita o ritmo das nossas escolhas. E o preço é alto: ansiedade, culpa, comparações e uma distância cada vez maior de quem realmente somos.
Na tentativa de não decepcionar ninguém, acabamos decepcionando a nós mesmos porque deixamos de ouvir o que queremos, o que precisamos, o que faz sentido para nós.
Freud através da psicanálise nos convida a olhar para esse medo com coragem:
De quem é essa voz interna que te diz que você precisa ser perfeito?
Quando foi que você começou a achar que o amor depende de desempenho?
Entender o medo de decepcionar é começar a se libertar dele porque quando você se permite ser humano e não impecável algo muda: o olhar suaviza, o coração acalma, e o amor-próprio finalmente encontra espaço para existir sem condições.
A verdade é que decepcionar faz parte da vida e viver tentando não decepcionar ninguém… é o que realmente te impede de viver.
Autor
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro
















