Vivemos tempos em que parecer bem virou quase uma obrigação.
Sorrimos para as fotos, cumprimos os papéis, falamos sobre conquistas, mas por dentro, muitas vezes há um vazio que não se mostra.
Um cansaço emocional que se disfarça em filtros, produtividade e frases prontas de “tudo certo por aqui”.
A verdade é que a alma não tem o mesmo ritmo das aparências.
Ela pede pausas, silêncios e espaço para sentir o que foi ficando escondido.
O mundo não costuma acolher o que é frágil e então aprendemos a vestir a máscara da força, mesmo quando estamos nos fragmentando por dentro.
Esse descompasso entre o que mostramos e o que sentimos cria uma solidão silenciosa.
A pessoa está cercada de gente, mas ninguém realmente a enxerga.
E, com o tempo, ela mesma deixa de se enxergar.
Vai se adaptando, se moldando, se encaixando… até não saber mais se o sorriso é dela ou do personagem que inventou para sobreviver.
Em terapia, entendemos que o sujeito se constrói entre o que sente e o que acredita que pode sentir.
Entre o desejo e o medo de ser rejeitado por ele.
E é justamente aí que o vazio se instala: quando há uma distância grande demais entre o “eu real” e o “eu que o mundo quer ver”.
O primeiro passo para curar esse vazio não é “mostrar tudo”, mas se permitir sentir de verdade, mesmo que ninguém veja.
É na honestidade emocional, ainda que silenciosa, que começamos a nos reencontrar.
Porque só quando olhamos para dentro, sem medo do que encontraremos, é que a alma volta a caber dentro da gente.
Por Cintia Castro @cintiacastropsicanalista
Psicanalista, Psicoembriologia, Escritora, Palestrante, Consultora DISC, Consteladora Familiar Sistêmica.
Autor
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• Investigo as raízes da psique desde antes do nascimento.
• Autora | Palestrante | Psicanálise & Psicoembriologia
Instagram: Cintia Castro
















