Servidores de São Caetano do Sul não aceitam troca de plano de saúde

Joelma Gomes, vice-presidente do Sindicato dos Servidores reconhece que existem muitas reclamações sobre a tentativa de substituição do plano de saúde

Colaboradores da Prefeitura não entendem o motivo da substituição e questionam decisão: Sindicato afirma que lutará até o fim para manter o convênio atual.

A possível troca do atendimento da Biovida por outra operadora assombra a rotina dos servidores da Prefeitura de São Caetano do Sul. Todos parecem fazer a mesma pergunta: “porque mexer em algo que está dando certo?”. Marília Nogueira, auxiliar de primeira infância e mãe de dois filhos, não concorda com a decisão. “Eu nem parei para pensar em como seria trocar o plano porque posso enlouquecer. Moro sozinha com duas crianças, faço tudo aqui e estou feliz com o convênio. Não posso me deslocar para ter atendimento em outras cidades devido a minha dupla jornada e, ainda, sigo com atendimentos semanais com psicólogo, psiquiatra e não posso ficar sem esse tratamento. Meu filho já ficou internado uma vez, há um ano, e fui super bem assistida. Por que trocar um convênio que está dando tão certo? Fica essa minha pergunta para as autoridades! Não entendo isso e não vou permitir, afinal, com saúde não se brinca”.

“Por que trocar um convênio que está dando tão certo? Fica essa minha pergunta para as autoridades!”, diz a auxiliar de primeira infância, Marília Nogueira

A técnica de enfermagem Talita Barreto divide o mesmo sentimento da colega: revolta. “Já soube que a rede de hospitais que atendem o convênio cotado para assumir é quase nula. Pelo convênio atual sou super bem atendida, nunca tive um problema, faço agendamentos ambulatoriais e exames sem qualquer restrição ou dificuldade. Não aceito essa troca tanto que participei do abaixo-assinado promovido pelos servidores. Já sei que a cobertura do convênio que quer entrar é menor tanto em rede quanto em procedimentos e, se tiver que assinar outro documento, abaixo-assinado ou qualquer manifestação, farei, porque não concordo com isso”, fala.

De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos e Autárquicos em São Caetano do Sul representado, em entrevista, por sua vice-presidente Joelma Souza Gomes da Silva, o cenário é tenso. “Temos conhecimento dessas reclamações em outras regiões, mas não podemos reclamar de um plano que ainda não prestou serviços em São Caetano (no caso o plano cotado para entrar). O Sindicato reconhece sim que a Biovida melhorou muito desde que entrou para prestar serviços na Prefeitura. No início, recebíamos reclamações – o que é comum quando se começa o atendimento – e, atualmente, essas reclamações caíram 90%. É preciso pontuar que eles, inclusive, estavam sempre prontos para resolver os problemas: colocaram um ponto de atendimento dentro do Sindicato para atender os servidores, além do ponto de atendimento do Santa Ana e internet (e-mail). E o que estou ouvindo atualmente é que agora que estamos bem com a Biovida vão mudar de plano? Tenho várias solicitações pedindo que a Biovida fique, mas, infelizmente, quem ganha a licitação é quem apresenta o menor valor, e não foi esse o caso”, explica a vice-presidente. Joelma ainda vai além: “Com certeza, se o Sindicato tivesse o poder de cancelar a licitação, o faria, mas isso não é possível de nossa parte. O que posso prometer é que ficaremos em cima como ficamos com outros planos que já prestaram serviços para nossos valorosos servidores. O Sindicato é o primeiro a querer ter um serviço de qualidade para nossos servidores, pois merecem. Estamos tentando reverter essa situação, mas infelizmente temos questões legais como licitação e edital, que é difícil rebater. Mas tentaremos até o fim”.

Para Ingrid Lopes, auxiliar administrativa, a mudança de convênio vai impactar inclusive no rendimento dos profissionais nas tarefas do dia a dia. “Tudo que preciso pela Biovida sou atendida. Hoje temos um hospital que é o Santa Ana, que atende de clínico geral a pediatria, ortopedia, dentre outras especialidades. Pela primeira vez na vida temos um plano de saúde decente e o que é feito: querem tirar isso de nós? Soube que o novo plano atende uma rede péssima, entrei na internet para ver e só tem unidades de atendimento em Ribeirão Pires ou Mauá. Isso vai alterar nossa rotina, saúde e humor. Pelo que vi, vamos perder não só no atendimento da rede, como também nas especialidades. Já precisei de recursos avançados como tomografia para minha filha e tive toda assistência pela Biovida. Não quero mudar isso. Não aguento mais esse sentimento de insegurança, sem falar que a Maternidade central, local que atende o novo convênio escolhido pela Prefeitura não tem capacidade para dar assistência para todos os servidores ou seja, estaremos no caos”, revela Ingrid.

O guarda municipal Nilton Taveira é outro colaborador da Prefeitura que se diz indignado com a situação. “Eu não concordei com essa história desde o início dos rumores da troca de plano de saúde, mas o mais grave é ficarmos sem informação nenhuma, no achismo das coisas”. De acordo com o servidor, há boatos de que o novo plano cotado para a tal substituição só faria atendimento ambulatorial. “Todos estão comentando que a qualidade nem se compara ao plano que temos, que o atendimento desse plano novo só vai valer em ambulatório e como fica, então, nosso bem-estar? Fora a ansiedade que estamos vivendo já que não há certeza de nada. Eu vou começar um tratamento agora contra diabetes que não sei se vou continuar”.

Essa incerteza com relação ao plano de saúde anda tirando o sono dos colaboradores da Prefeitura. “Estou nervoso com essa decisão e isso é muito ruim. Na minha opinião, eles deveriam fazer uma votação e ouvir os beneficiários. Nós deveríamos participar disso. Tanto que há na cidade um abaixo-assinado contra a troca do plano”, fala Taveira.

Carlos Alberto Campos, presidente da Biovida, declarou ao ABC em Notícia que está aberto a negociações e que se sente tão perplexo quanto os servidores. “Ainda não há notificação oficial sobre a troca e temos esperança de continuar atendendo com excelência os colaboradores da Prefeitura. Fizemos a nossa parte apresentando documentos solicitados e conversando com as autoridades porque não acreditamos que dois anos de prestação de serviço exemplar possam ser jogados fora, mesmo após uma licitação. Ainda temos esperança que o quadro se reverta e que, juntos, possamos conversar para chegar a um d e n o m i n a d o r comum bom para todos: autoridades e servidores. Estou aberto a conversa, como sempre me coloquei desde o início”, finaliza Campos.

Em meio à reportagem, o corretor de imóveis Gilberto W. Caetano, que não é servidor público se solidarizou com os servidores. “Fiquei no Hospital Santa Ana acompanhando a internação da minha mãe, que é cliente do convênio Biovida por mais de um mês e vi, a movimentação dos colaboradores da prefeitura para tentar manter o plano. Posso dizer que também estou indignado, apesar de não ser afetado diretamente com essa decisão. Minha mãe tem esse convênio há mais de dez anos e somos bem assistidos. É a primeira vez que vejo tantas pessoas amedrontadas pelo receio de perder algo tão bom. Abordei a repórter do jornal quando vi a movimentação e quis falar porque, como ser humano, me solidarizo com a situação do outro. Nunca tive um problema com relação ao atendimento da minha mãe, pelo contrário, sou testemunha da boa assistência prestada pelo plano e indico. Apesar de não ser um plano muito conhecido, posso dizer com todas as letras que cumpre e serve muito bem seus clientes. Indico porque realmente é um custo benefício maravilhoso. Minha mãe tem 86 anos e é muito bom poder contar com um serviço de qualidade e excelência, e desejo o mesmo para os funcionários do prefeito. Independente de licitação ou documentos, acho que é preciso analisar a felicidade dos que colaboram com o poder público, em primeiro lugar”, fala Caetano.

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