Câncer de pulmão aparece em quase 100% dos casos decorrentes do tabaco

O câncer de pulmão voltou às manchetes depois que a apresentadora Ana Maria Braga noticiou sua luta contra a doença

Brasil registrou mais de 30 mil novos casos ao longo de 2019

Dias atrás, o Brasil tomou um susto com o desabafo da apresentadora Ana Maria Braga, sobre a luta contra um câncer no pulmão. O tabagismo origina 90% dos casos diretos da doença, sendo que – entre os 10% remanescentes – 1/3 é composto por fumantes passivos cujo risco de desenvolver a doença é 20 vezes maior que o das demais pessoas. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o Brasil contabilizou mais 30 mil novos casos de tumores durante 2019. Fumar, além de falência pulmonar, também facilita o desenvolvimento de outros 13 tipos de câncer como de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga, colo de útero, ovário e algumas variações de leucemia. A maior parte dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório como tosse, falta de ar e dor no peito, sendo que – em alguns casos – perda de peso e fraqueza se manifestam como indícios da patologia. Somente 15% dos paciententes têm tumores diagnosticados em exames de rotina e, assim sendo, vigilância constante se faz necessária. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, destaca a oncologista Mariana Laloni, do Grupo Oncoclínicas.

O tratamento do câncer de pulmão se baseia em cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia. Sempre que possível, a cirurgia acontece para retirar uma parte do pulmão acometido. Atualmente, os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos são por vídeo (CTVA), com menor tempo de internação e retorno mais rápido do paciente para sua vida normal. A indicação da cirurgia depende principalmente do estadiamento, tipo, tamanho e localização do tumor, além do estado geral do paciente. Após a cirurgia, quimioterapia e radioterapia são indicadas para destruir células tumorais microscópicas residuais ou que estejam circulando pelo sangue. A junção de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser administrada logo de início para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia é contraindicada. A radioterapia isolada é utilizada em alguns pacientes para diminuir sintomas como falta de ar e dor, no entanto, o grande avanço dos últimos anos é a imunoterapia. Baseado no princípio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem e, ainda, que com o passar do tempo esse tumor se disfarça para o sistema imunológico e cresce, a imunoterapia reativa a resposta imunológica contra o agente agressor. “Atuando por meio do bloqueio dos fatores que inibem o sistema imunológico, as medicações imunoterápicas provocam um aumento da resposta imune, estimulando a atuação dos linfócitos e procurando fazer com que eles reconheçam o tumor como um corpo estranho”, explica a especialista.

Por Bijou Monteiro

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