Eduardo Martini: o ator de várias faces

Eduardo Martini está em cartaz com três espetáculos simultâneos em São Paulo, sendo que todas as peças são sucessos de público e critica

Sucesso na TV, teatro e cinema, artista fala sobre carreira, vida e arte

Ator, diretor, produtor e roteirista, Eduardo Martini tem 40 anos de trajetória por teatro, televisão e, mais recentemente, cinema. Tanto talento na bagagem não é para qualquer um, aliás, suas atuações servem como inspiração para muita gente. A partir de comédias inteligentes que nos colocam para pensar sobre as flutuações da vida, o artista falou com exclusividade à reportagem do ABC em Notícia.

AN: Você é apaixonado por atuar desde os 16 anos. Como nasceu essa paixão?
EM: Não tenho ideia de onde tenha nascido essa paixão (risos). Estudei nos colégios estaduais Oswaldo Aranha e Mário de Andrade que tinham a matéria de teatro. Depois me mudei para o Rio de Janeiro, entrei no tablado e não consegui mais parar. Para mim, o teatro é uma forma de expressão e formação do ser humano. Quando você reconhece no palco uma identidade de algo que já lhe aconteceu, isso transforma a nossa história e possibilita que mudemos erros e acertos. 

AN: Você é um dos poucos atores que investem e têm sucesso no teatro. Como foi a transição da TV para o palco?
EM:
Na realidade, comecei no teatro. Fiz algumas coisas de televisão, mas faço muito mais teatro e agora comecei a seguir pelo cinema com uma comédia chamada “Dois Mais Dois”, escrita e dirigida pelo Marcelo Saback. Ano passado também atuei no filme “Os Farofeiros” e foi uma delícia. Minha história é muito mais teatral do que televisiva. Acabei de gravar “Os Roni”, da Multishow, e adorei por ser uma forma de televisão com teatro.

AN: Você atua como ator e diretor. O que mais lhe agrada?
EM:
Atuo como ator e diretor, mas pouco como roteirista. Não sou bom de escrever (risos). Gosto de todas as áreas do teatro. Já fiz figurino, coreografia, dirijo e atuo muito. A única coisa que não faço é luz por ser uma coisa complicada, mas dou meus pitacos de vez em quando. 

AN: Você está em cartaz ao lado de Suzy Rêgo em uma peça muito engraçada. Conte um pouco sobre o enredo e sua parceria com a atriz.
EM:
“Até que o casamento nos separe” começou comigo e com a Cris Nicolotti, que escreveu o texto comigo, há seis ou sete anos. A Cris tem uma redação muito engraçada, é divertida, mas saiu da peça para fazer novela. Em seguida, Viviane Alfano – outra atriz maravilhosa – passou a fazer parte do elenco e na sequência veio a Suzy. Sempre falo que lidar com a Suzy é trabalhar com Deus por ela ter profissionalismo e entrega que poucas vezes vi no teatro. Temos uma química maravilhosa, nos complementando como amigos, seres humanos e atores. Pensamos da mesma forma e, quando divergimos, o diálogo é muito grande. “Até que o casamento nos separe” fala de um casal que – após 20 anos juntos – resolve se casar, parando tudo para ver se vai dar certo. Ao final do espetáculo, o que se conclui é que o amor deve imperar em todas as atitudes de um casal, especialmente nas diferenças. 

AN: Ainda você é um artista multifacetado que, em algumas ocasiões, está em cartaz com muitas peças. Qual o segredo para sobreviver no Brasil no teatro?
EM:
Adoro fazer teatro de repertório porque vou me trabalhando como ser humano, ator, artista e fazer formação de plateia, atualmente, é muito complicado. A experiência da pessoa ao entrar no teatro precisa ser a melhor possível, a partir de bilheteria, banheiro, pontualidade, performance dos atores e hora de saída. Batalho para que a pessoa chegue ao teatro e sempre queira voltar. Não acho que exista segredo para que eu sobreviva de teatro. O essencial é que eu saiba me produzir sem esperar nada de ninguém. Não sou refém de nenhuma lei e nem nenhum outro dinheiro porque teatro, para mim, é estritamente sobre arte.

AN: Você acha que o público brasileiro aceita mais o texto de comédia que outros enredos?
EM:
O público tem mudado bastante. Atualmente, as pessoas preferem comédia porque conseguem aliviar a tensão do dia a dia. Existem pessoas que buscam o teatro para aprendizados ou para reconhecerem autores e diretores em textos. Em sua maioria, o público procura a boa comédia, uma vez que a comédia apelativa afasta o público e é um desserviço ao teatro. A cultura move São Paulo porque as pessoas gostam de se divertir, sendo que meu único sonho é atingir o jovem para que ele frequente a teatro. 

Vale lembrar que Eduardo Martini está em cartaz em várias produções no Teatro União Cultural:
“Chorávamos terra ontem à noite”, às quartas, às 21h; “Papo com o Diabo”, às quintas, 21h; “Até que o Casamento nos Separe”, aos sábados às 21h e domingos às 19h.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*