A saúde no ABC: um raio-x do cenário por um médico e auditor

O atendimento em saúde na região do ABC tem melhorado muito. Isso é incontestável, seja pelos investimentos das prefeituras e também, é claro, pela iniciativa privada que traz cada vez mais opções com a ampliação de hospitais e instalação de novas clínicas. Para entender a quantas anda esse cenário, o ABC em Notícia entrevistou o Dr. Paulo Orlando Criscuolo, cirurgião renomado e auditor atuante há muitos anos na região.

AN: Com tantos anos de atuação, como o senhor enxerga o cenário da saúde no ABC?
PC:
Acredito que tenha havido uma evolução, já que os hospitais estão contratando melhores médicos para o atendimento em Pronto Socorro e investindo em equipes mais bem preparadas. É nítida a melhora na relação médico e paciente neste cenário.

AN: Pela experiência inclusive em auditoria, o senhor acha que a relação entre convênios e hospitais está cada dia mais defasada?
PC:
O que ocorre em relação aos hospitais e os convênios é uma briga de muitos anos, em que os hospitais querem receber mais e os convênios querem pagar menos, então os hospitais acabam demorando para dar alta ao paciente, pedindo alguns exames que talvez pudessem ser feitos em ambulatório. Isso vem desgastando bastante a relação hospital e convênio. Hoje os convênios estão propondo para os hospitais um pacote de valores, e eu acredito que essa ação vai diminuir essa defasagem que existe entre convênio e hospital.

AN: É verdade que há pedidos de exames e internações desnecessários em hospitais, visando não o benefício do paciente, mas sim um lucro na operação?
PC:
Muitos exames que são pedidos no pronto-socorro poderiam ser solicitados via ambulatório e sim, algumas internações poderiam ser tratadas em casa. Ocorre que o hospital interna para poder fazer volume. Isso também ocorre porque muitos pacientes procuram os prontos-socorros em demasia, principalmente visando atestados médicos, e o médico acaba em algumas situações, aproveitando para fazer alguns exames. Então nessa equação há um desequilíbrio: o hospital interna o que poderia ser tratado em casa, solicita exames que poderiam ser feitos em um ambulatório e, com isso, demora para dar alta.


AN: Podemos afirmar que a aplicação da medicina preventiva é uma solução?
PC:
Todos os grandes convênios hoje já trabalham efetivamente com a medicina preventiva visando diminuir esses custos e por conta disso, a maioria tem trabalhado no sistema vertical, ou seja, a maioria dos planos são só de redes próprias, assim, se diminui o custo da rede credenciada. Quem mais usa hoje a rede credenciada são as seguradoras que não tem hospitais próprios.

Por Renata Rode

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