Servidores de São Caetano não aprovam mudança de plano de saúde

Miguel Dias, presidente do Sindicato, e Auricchio, na assinatura

Após licitação, Biovida pode ser substituída por outra operadora e beneficiários não concordam com decisão

Apesar de não ser definitiva, uma licitação sobre o plano de saúde que vai atender os servidores da Prefeitura de São Caetano do Sul deixou os beneficiários preocupados no último dia 13. Tudo porque, segundo rumores, a Biovida não seria escolhida para continuar com o atendimento prestado à população. “No decorrer desses dois anos de prestação de serviço, nunca falhamos com o compromisso de atender os servidores públicos, pelo contrário, evoluímos provando que o convênio está em constantes melhorias. Ficamos surpresos com essa primeira decisão porque ainda temos muito o que fazer em prol da saúde dos funcionários públicos da Prefeitura de São Caetano do Sul. Posso afirmar que o trabalho foi altamente positivo à população porque havia uma demanda represada de cirurgias e tratamentos não atendidos antes da nossa gestão”, explica Carlos Alberto de Almeida Campos, presidente da Biovida.

O ABC em Notícia apurou que depois dos rumores da notícia de que o plano seria trocado, o SAC da Biovida recebeu muitos questionamentos e, inclusive, beneficiários que afirmaram que não vão aderir ao novo plano, caso haja troca. Para Nilson Marinho, porteiro que está afastado do trabalho por um problema de saúde, essa mudança seria inaceitável. “Tenho um problema grave nas pernas e necessito de tratamento de segunda à sexta. A Biovida foi o único convênio até hoje que que cobriu meu tratamento (que sei que é custoso) em Câmara Hiperbárica, utilizando até transporte próprio. Todos os dias durante a semana um carro deles vem me buscar, me leva até a clínica e me traz de volta. Tive uma melhora fantástica e não posso dar um passo para trás se ficar sem esse tratamento”, fala.

Nlson Marinho faz tratamento para doença nas pernas, de segunda à sexta, com cobertura e traslado pela Rede Biovida

De acordo com Campos, a empresa vai recorrer da decisão, porém, foram vários os empecilhos durante a licitação. “A Biovida resolveu declinar na fase de lances pois seria inviável diminuir o valor do seu plano e cumprir com todas as exigências do edital. Houve esperança de sermos consagrados vencedores quando houve inabilitação da primeira colocada, no entanto, a surpresa desagradável ocorreu pela inflexibilidade em aceitar documentos substitutivos da certidão do FGTS como se fosse uma certidão positiva com efeitos de negativo. Será mesmo que um simples papel pode colocar em risco a saúde e tratamento de pessoas idosas e doentes? A tal “certidão negativa” não está impressa por culpa de terceiros, porém a Biovida provou por meio de outros documentos que a dívida está quitada. Esse papel é meramente burocrático e está em eminência que sairá em alguns dias. Será que não ter o tal certificado na data e apresentar documentos que comprovam a idoneidade da empresa não vale? Então por isso, é jogado no lixo um trabalho árduo e melhorias para a saúde local? Será possível que autoridades ligadas à Prefeitura não tenham o mínimo de sensibilidade humana? Estamos falando de saúde, do tratamento e assistência a 135 mil vidas não só em São Caetano, afinal atendemos associados disseminados em São Paulo e na grande São Paulo e temos clientes grandes como a Gocil Segurança, além de cadeias de restaurantes, fábricas, hotéis e empresas de prestação de serviço”.

De acordo ainda com o executivo, a empresa cotada para substituir a Biovida apresenta diversos problemas graves. “Há reclamações na ANS e nem o portal Reclame Aqui recomenda a contratação desse convênio. Porque a Prefeitura recomendaria e assinaria embaixo? Tenho informações de que eles só têm credenciado um hospital com nove leitos na região… Será possível atender com qualidade aqueles que mantém a máquina do serviço público funcionando? E quem tem tratamentos e cirurgias em andamento? Quantas vezes não colocamos o associado da Prefeitura, internado em apartamento para melhor conforto do servidor? Essa preocupação com a qualidade não conta? Vou além: investimos em São Caetano do Sul, conveniamos o melhor hospital acessível na cidade em uma parceria que gerou empregos e barateou o custo de um plano de saúde exemplar. Nada disso conta na tal licitação? Então quando estão em jogo milhares de vidas, o que vale é um documento? A Biovida atende, com excelência, aposentados no governo espanhol, é uma empresa idônea que provou, por dois anos, sua reputação e credibilidade. Estamos satisfeitos com todo o trabalho que foi desenvolvido e certos de que voltaremos a prestar atendimento a esses servidores”, finaliza o executivo.

O guarda municipal Nilton Taveira também não concorda com a troca do plano. “Já ficamos quase dois anos sem um plano decente e posso afirmar que estamos sendo bem atendidos. É claro que no começo houve uma adaptação, mas eles foram melhorando e tem mais a oferecer, acredito. Nós não podemos nos omitir diante de uma situação dessas”, fala o servidor que disse que descobriu ter diabetes e que agora mais do que nunca, vai precisar de acompanhamento médico.

Nilton Taveira, guarda municipal que não concorda com a troca do plano de saúde e deve começar um tratamento contra diabetes

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Caetano do Sul, até o fechamento desta edição, a posição é que a licitação ainda não foi finalizada e não há empresa vencedora. O prazo é o que está no Edital: 5 dias úteis para ingressar com recurso e depois a Comissão de Licitações da Prefeitura tem mais 5 dias úteis para analisar o caso.

1 Comentário

Deixe uma resposta para Jose rico Cancelar resposta

Seu e-mail não será publicado.


*