Crianças e microorganismos: polêmica no ar

Por Roberto Martins Figueiredo, mais conhecido como Dr. Bactéria, Biomédico – Diretor Da Microbiotecnica e contratado da Rede Record

Vamos partir do princípio que 90% das células de nosso corpo são formadas por microorganismos. Isto pode parecer assustador mas, ao contrário do que soa, essas bactérias têm ação muito positiva e fundamental para nossa saúde. Na boca e intestinos, impedem o crescimento de germes patogênicos (que poderiam ocasionar doenças), são responsáveis pela digestão de muitos alimentos (como celulose), produzem vitaminas essenciais ao nosso corpo, entre outras funções. Daí encararmos a presença destas bactérias como positiva.

As crianças vem ao mundo com essas bactérias, nascem com o que chamamos de “careca microbiana” pois elas são geradas em um local totalmente estéril. A contaminação se dá por ocasião do nascimento, por isso, o parto normal é bem melhor que a cesária, já que a passagem pela região vaginal da mãe contamina positivamente a criança. Nos casos de cesariana, a contaminação pode se dar via germes oriundos da área hospitalar, o que de modo algum é algo positivo

Visando a contaminação positiva, as crianças, desde o primeiro dia de vida, têm que ter contato com germes do ambiente (terra, vegetais, animais, etc). Caso isto não ocorra, ela vai terá deficiência de imunológica, podendo estar condenada a problemas respiratórios (asma, por ex.) para o resto da vida.

No entanto, existem 4 hábitos que devem ser evitados. O primeiro deles é beijar os filhos na boca. Isto pode levar a contaminação do bebê, por germes patogênicos como os causadores de herpes labial, candidíase bucal (sapinho), cáries, gripe, resfriado, gastrite, úlceras estomacais, entre outras. Beijar no rosto e no corpo não acarretará nenhum problema. A mesma coisa é indicada para visitantes ou parentes. O hábito de lavar as mãos ao chegar em casa deve ser uma rotina, independente para quem quer que seja e independente da existência de bebês.

A segunda mania a ser evitada é assoprar alimentos em colheres ou pratos para resfriar, pelas mesmas razões já explicadas acima. Nada de limpar a chupeta na boca. Muitas vezes a mãe acha que a saliva dela pode “limpar” as chupetas que caem no chão. Existe a ideia que podem haver “bactérias maternas”, o que não ocorre. As bactérias não sabem que esta criança é filho desta pessoa. As chupetas devem ser guardadas e lavadas em água corrente. Por último, um erro comum praticado por algumas mães sem saber é dar mel de abelha para crianças abaixo de um ano de idade. No Brasil, cerca de 8 a 10% dos méis de abelha são contaminados com uma bactéria de nome Clostridium botulinum. As crianças abaixo de um ano não possuem carga microbiana nos intestinos que poderia impedir (por competição) o desenvolvimento desta bactéria e, consequente, produção de toxina botulínica, que pode levar a Botulismo Infantil e Síndrome da Morte Súbita. Após um ano de idade, as crianças já possuem carga microbiana que impede o crescimento desta bactéria e, logo, a produção desta toxina.

Os excessos de cuidados (como criar filhos em verdadeiras bolhas) trazem mais malefícios que benefícios. A higienização dos objetos como bicos de mamadeiras e chupetas é imprescindível. Elas devem ser fervidas até um ano de idade ou até que a criança comece a engatinhar. Depois disso, uma simples lavagem com água mais detergente e um enxague em água corrente, é mais que suficiente. Isto é indicado também para brinquedos e mordedores. Brinquedos plásticos, principalmente, os de uso em banheiras (patinhos, etc), devem ter seus apitos retirados. Além dessa medida evitar possíveis acidentes com as crianças engolindo e se asfixiando, facilita a secagem destes brinquedos, evitando a presença de bolores na parte interna dos brinquedos.

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