O panorama da vacinação no país

“Ao contrário do que alguns pensam, o inimigo não é só a doença, mas também a falta de informação. Acredite!”

Ana Lucia Meira defende Programa Nacional de Imunização
e explica polêmicas em torno do tema

Muito tem se discutido sobre os avanços da imunização no país. Em tempos de “fake news”, é preciso tomar cuidado com notícias sensacionalistas, principalmente quando o assunto diz respeito à saúde da população. Para Ana Lucia Meira, Diretora do Departamento de Vigilância à Saúde de Santo André, o Brasil tem um dos melhores programas de Imunização do Mundo (PNI-Programa Nacional de Imunização) com êxito de ações, fato que concedeu vários certificados de erradicação emitidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde). “Esse sucesso traz suas consequências pois gera uma falsa sensação de segurança, já que grande parte da população não conviveu com graves doenças imunopreviníveis como sarampo, poliomielite, tétano, coqueluche, entre outras. O resultado é uma não-valorização e, consequente, desrespeito em seguir o calendário oficial de vacinação como melhor forma de prevenção às 19 doenças previníveis”, explica.

AN: Doutora, os movimentos antivacina não são tão importantes no Brasil como são nos USA e na Europa, então, o que tem gerado no brasileiro essa insegurança?
AM:
A falta de informação. Se a população estiver imunizada, podemos ter a circulação de pessoas em nosso país e/ou transitarmos pelo mundo sem a preocupação de adquirir doenças que ainda estão presentes nestes locais. A cobertura vacinal não protege apenas o indivíduo que se vacinou, protege também o grupo: reduz drasticamente a circulação das doenças protegendo assim as pessoas que não puderam se vacinar, seja por doenças já existentes, alergia aos componentes ou idade. Coberturas baixas levam a uma população vulnerável, reintrodução de doenças erradicadas e aumento dos casos de doenças.

AN: Em sua opinião, o Governo tem feito seu papel intensificando as Campanhas de Incentivo?
AM:
Sim, graças a estas ações a nossa situação não está pior em relação às doenças imunopreviníveis. Um exemplo é como São Paulo agiu rápido quando houveram os surtos de febre amarela e evitou-se um número de mortes na ordem dos milhares. Muitas vidas foram salvas graças à vacinação em massa. A febre amarela é de uma letalidade grande e a vacina já foi amplamente testada, apresentando um número baixíssimo de efeitos indesejados. São campanhas incentivando a vacinação feitas nas esferas federais, estaduais e municipais.

AN: Quais as medidas que podemos tomar para que essa postura do brasileiro mude em relação a prevenção?
AM:
Levar a informação, sensibilizar e conscientizar as pessoas da importância da vacinação, é uma questão de Saúde Pública! A opção de não fazer a vacina compromete a saúde do próprio indivíduo e a de toda população. O ideal seria que a própria população exigisse a vacina como direito, não recusasse, tentando entender as causas para cada situação. A sociedade tem de encontrar meios para tratar o desejo do indivíduo e sanar esse impasse. A solução não está na coerção, mas muito menos na liberdade total, pois esta pode causar a volta de doenças ainda piores. O ECA, ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – LEI 8069/90 diz em seu paragrafo 1º :§ 1o É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.257, de 2016). O direito a saúde faz com que seja de interesse da criança a intervenção do Estado (Conselho Tutelar) e este direito se sobrepõe a decisão dos pais/responsáveis em não vacinar seus filhos.

AN: Enquanto profissional de saúde, quais moléstias devem estar sob holofotes, ou seja, merecem um cuidado maior até por parte da mídia que também colabora para a propagação das campanhas e informações pertinentes a este cenário?
AM:
Todas as doenças imunopreviníveis previstas no Calendário de vacinação oficial são de importância e merecem destaque. São elas: Poliomelite, Tétano, Coqueluche, Haemophilus influenzae (bactéria que causa meningite), Sarampo, Rubéola, Caxumba, Febre Amarela, Difteria e Hepatite B. Além das dez doenças listadas, temos mais nove doenças que podem ser prevenidas através da vacinação. Vacinar, ao contrário do que dizem as más línguas é o melhor remédio!

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